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Carro alugado

Vale a pena alugar carro em uma viagem? Como decidir

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Fernando

O carro não é luxo, é multiplicador de roteiro

Existe uma ideia meio enraizada de que alugar carro em viagem é “complicado”, “caro” ou coisa de quem não sabe se virar com transporte público. Mas basta tentar encaixar três cidades, alguns vilarejos e uma atração fora da rota principal em uma viagem de sete dias usando apenas trem e ônibus para perceber que a conta pode ficar bem diferente.

Com um carro, aquela vila que fica a 40 minutos da cidade principal, mas que não tem uma conexão simples de transporte público, vira apenas mais uma parada no caminho. O passeio que terminaria às 18h porque “o último ônibus sai nesse horário” pode terminar quando vocês quiserem — e, se aparecer uma placa indicando um mirante, uma praia ou uma cidadezinha interessante no caminho, vocês podem simplesmente parar.

É essa liberdade que faz do carro um multiplicador de roteiro: em vez de pensar “como faço para chegar lá?”, você começa a pensar “o que mais podemos conhecer pelo caminho?”. Eu adoro rodar pelas cidades pequenas, onde os pacotes turísticos não chegam.

Carro alugado em viagem

E quando tem criança?

Quem viaja em família conhece bem a diferença: mala, mochila, casaco, brinquedo, comida… e, no meio disso tudo, ainda é preciso acompanhar horários de trem e ônibus e fazer conexões.

Com um carro, a bagagem fica no porta-malas, a criança pode fazer uma pausa quando precisar e vocês conseguem adaptar o ritmo do dia à realidade da família.

O carro não elimina os imprevistos de uma viagem, mas dá muito mais liberdade para lidar com eles.

Quando vale a pena alugar um carro?

Não existe uma regra universal, mas alguns sinais indicam que o carro provavelmente será uma boa escolha. Alugar carro costuma fazer sentido quando:

  • você pretende visitar várias cidades;
  • o roteiro inclui vilarejos ou atrações fora das rotas de trem;
  • vai explorar uma região inteira;
  • pretende conhecer praias ou áreas rurais;
  • está viajando em família;
  • está levando bastante bagagem;
  • são três ou quatro pessoas dividindo o custo;
  • você quer liberdade para alterar o roteiro;
  • os deslocamentos seriam complicados usando transporte público.

Destinos como a Provença, na França, ou Oviedo, na Espanha, são bons exemplos: você pode chegar de avião ou trem a uma cidade maior, mas o carro facilita muito a exploração do restante da região. Então o carro deixa de ser apenas um meio de transporte e passa a fazer parte do próprio roteiro.

E quando não vale a pena?

Aqui está uma parte importante: nem sempre alugar carro é uma boa ideia. Se você vai passar cinco dias em Londres, Paris ou Amsterdã, por exemplo, provavelmente não precisa de carro. O trânsito é ruim, o estacionamento caro e o transporte público muito mais eficiente.

O mesmo vale para uma viagem em que você vai ficar hospedado no centro de uma grande cidade e passar praticamente todo o tempo visitando atrações próximas. Nesses casos, o carro pode significar mais preocupação do que liberdade.

O transporte público pode ser melhor quando:

  • você vai ficar principalmente em grandes cidades;
  • existe uma rede de metrô, trem e ônibus eficiente;
  • não pretende visitar cidades menores;
  • estacionamento é caro ou difícil;
  • o roteiro é basicamente ponto A → ponto B;
  • os deslocamentos de trem são rápidos e diretos.

A pergunta, portanto, não deveria ser simplesmente “carro ou transporte público?”. A pergunta certa é: “Qual deles facilita o tipo de viagem que eu quero fazer?”

Mas alugar carro não é caro?

Depende de como você faz a conta: comparar apenas a diária do carro com o preço de uma passagem de trem não é suficiente.

No transporte público, você precisa considerar passagens para cada trecho, transporte até a estação, táxi ou aplicativo para os últimos quilômetros e, principalmente, o tempo e a flexibilidade que você perde. No carro entram diária, combustível, estacionamento, pedágios e seguro.

Por isso, principalmente quando três ou quatro pessoas estão viajando juntas, vale fazer a conta completa. Imagine, por exemplo, uma família de quatro pessoas viajando de Porto a Lisboa: se quatro passagens de trem custarem €36 por pessoa (omio.com), um único trecho já dá €144.

Agora imagine, apenas como simulação, um carro que custe:

Total: €84,66. Nesse cenário, o carro poderia sair mais barato e ainda oferecer liberdade para fazer paradas no caminho.

É claro que os valores reais mudam completamente de acordo com a data e destino. O importante é comparar o custo total da viagem, e não apenas o preço anunciado da diária.

O seguro não é detalhe

Aqui está um dos pontos que mais merece atenção quando você aluga um carro: o seguro. Uma diária aparentemente barata pode ficar bem mais cara quando você adiciona coberturas e franquias.

E pequenos danos podem acontecer: uma batida no estacionamento, um risco na carroceria ou uma pedra que atinge o para-brisa podem transformar uma viagem tranquila em uma grande dor de cabeça.

Antes de retirar o carro, verifique exatamente:

  • qual é a franquia;
  • o que está coberto;
  • o que não está coberto;
  • se vidros e pneus estão incluídos;
  • como funciona a assistência;
  • qual é a cobertura para roubo;
  • quais são as exclusões.

E atenção: “franquia zero” não significa necessariamente que tudo esteja coberto. Leia as condições.

Aluguei recentemente um carro com seguro em uma viagem à Sicília no site da Discovercars.com e achei o contrato do seguro bem claro. Também costumo viajar com cobertura do seguro do cartão de crédito internacional, assunto para outro post.

E faça uma coisa que leva dois minutos

Grave o carro inteiro em vídeo no momento da retirada, filmando frente, traseira, laterais, para-choques, rodas, pneus, teto, vidros, interior e porta-malas. Mostre também a quilometragem e o nível de combustível.

Dano no carro

Se houver algum risco ou dano, fotografe, e confira se os danos já estão registrados no documento de vistoria.

Pode parecer exagero até o dia em que alguém questiona um dano que já estava lá quando você pegou o carro. Veja um exemplo aqui de alguém que teve que pagar mais de €600: Cobrança por danos pré-existentes não registrados.

O vilão escondido: estacionamento

Se tem uma coisa que muita gente esquece de calcular antes de alugar um carro, é o estacionamento. Em cidades históricas europeias, centros urbanos densos e destinos turísticos populares, estacionar pode custar até mais do que a própria diária do carro.

Você pode encontrar estacionamento pago por hora, zonas de estacionamento controlado, vagas limitadas e restrições para determinadas áreas. Por isso, planeje o estacionamento antes de sair.

Pesquise onde deixar o carro durante a noite. Veja se o hotel oferece estacionamento. Compare estacionamentos com tarifa diária e, principalmente, verifique as regras de acesso aos centros históricos.

Uma estratégia que funciona muito bem é combinar os dois mundos: carro para viajar entre cidades e transporte público ou caminhada dentro dos grandes centros. Você ganha a liberdade do carro sem necessariamente carregar os custos e o estresse de dirigir dentro de uma cidade histórica.

Centro Histórico

Como alugar carro sem cair em armadilhas

Antes de confirmar a reserva, não olhe apenas para o preço anunciado.

  1. Compare o preço total: confira diária, impostos, taxas, seguro, motorista adicional, combustível e quilometragem. Uma oferta muito barata pode deixar de ser barata quando tudo entra na conta.
  2. Confira a política de combustível: quando possível, a política tanque cheio → tanque cheio costuma ser simples de entender: você pega o carro abastecido e devolve abastecido.
  3. Veja se existe taxa para motorista adicional: se duas pessoas pretendem dirigir, confira antes da reserva se adicionar um segundo motorista gera custo.
  4. Verifique as regras para cruzar fronteiras: vai visitar mais de um país? Confira as regras da locadora: pode existir autorização, restrição ou taxa adicional para atravessar determinadas fronteiras.
  5. Confira a quilometragem: algumas tarifas incluem quilometragem ilimitada, outras não. Se você pretende fazer uma road trip, essa diferença pode ser importante.
  6. Veja se precisa da Permissão Internacional para Dirigir (PID): algumas locadoras não aceitam sua CNH. Não adianta conseguir uma tarifa ótima, chegar ao destino e descobrir no balcão que você não pode retirar o carro.
  7. Filme o carro na retirada: sim, estou repetindo isso de propósito: filme. Dois minutos agora podem economizar muita dor de cabeça depois.

Então, vale a pena alugar carro em viagem?

Depende.

Se a sua viagem é basicamente uma grande cidade, provavelmente não. Se você vai passar dias em destinos urbanos com transporte público excelente, provavelmente também não.

Mas se você quer explorar uma região, visitar cidades pequenas, conhecer lugares fora da rota turística, viajar em família ou simplesmente ter liberdade para mudar os planos no meio do caminho, o carro pode transformar completamente a viagem.

O erro não está em alugar carro — está em alugar sem fazer as contas, sem entender o seguro, sem verificar as regras e sem pensar onde você vai estacionar.

Faça essas coisas e o carro deixa de ser simplesmente mais uma despesa da viagem: ele pode se tornar uma das ferramentas que mais aumentam o que você consegue conhecer.

Porque, no fim, talvez a pergunta não seja: “Vale a pena alugar carro?”
Talvez a pergunta certa seja: “Quanto da viagem eu estou deixando de conhecer por não ter um?”

Fernando

Brasileiro morando na Holanda com a família. Escrevo sobre viagens pela Europa com crianças, roteiros testados na prática e a vida real de quem mora fora.

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