Estávamos no coração da Provença Francesa, em Arles, uma cidade onde você anda por ruas cheias de história e, de repente, se depara com um anfiteatro romano que poderia facilmente fazer você pensar que mudou de país.
Arles era a cidade que eu mais queria conhecer durante a nossa viagem pela Provença. E o principal motivo tinha nome e sobrenome: Vincent van Gogh. Eu já tinha contado um pouco da história dele quando visitamos Amsterdã, e conhecer Arles foi, para mim, uma continuação dessa história.
Mas Arles vai muito além de Van Gogh. A cidade tem ruínas romanas impressionantes, igrejas antigas, ruas charmosas e uma história que parece estar presente em praticamente cada esquina. E, para completar o passeio, ainda fizemos uma parada no Pont du Gard, um aqueduto romano que continua de pé mais de 2.000 anos depois.
Arles: a cidade amarela de Van Gogh
Esse foi o nosso terceiro dia na Provença, depois de passarmos por lugares como Avignon, L’Isle-sur-la-Sorgue e Roussillon. Mas Arles era especial para mim.
Eu adoro a história de Van Gogh e já tinha acompanhado parte dela em Amsterdã, onde visitamos o principal museu dedicado ao pintor. Antes de se tornar o artista que conhecemos hoje, ele passou um período na Holanda, depois foi para Paris e, em determinado momento, parece que sentiu falta de uma coisa bem simples: sol, alegria e cores. Foi assim que ele veio para o sul da França.
Van Gogh passou por essa região e foi justamente em Arles que viveu um período extremamente importante da sua vida. Foi aqui que ele produziu obras importantes como Os Girassóis e o Quarto em Arles, retratando lugares que ainda podemos reconhecer. Foi aqui também que também enfrentou alguns dos momentos mais difíceis da sua história. Então, para mim, visitar Arles era quase como seguir mais um capítulo dessa trajetória.
Um pedaço da Roma Antiga no sul da França
Antes de entrar na história de Van Gogh, tem uma história muito mais antiga para contar. Arles foi colonizada pelos romanos, e isso fica muito evidente quando você começa a explorar a cidade. Essa região do sul da França guarda várias ruínas romanas, mas o grande destaque de Arles é o seu anfiteatro.
O anfiteatro romano de Arles
Construído no século I e inspirado no Coliseu de Roma, o anfiteatro de Arles podia receber mais de 20 mil pessoas.
Assim como acontecia em Roma, ele era usado para o entretenimento da população. Havia gladiadores, mas também outros tipos de espetáculos e apresentações culturais.
O mais curioso é o que aconteceu depois. Na Idade Média, o anfiteatro deixou de ser apenas uma construção romana abandonada e acabou se transformando em uma cidade fortificada. Mais de 200 casas e até uma igreja foram construídas dentro dele. Hoje, o anfiteatro continua sendo um dos grandes símbolos de Arles. Ele ainda recebe festivais e as tradicionais touradas, e é possível visitar o interior.
Uma coisa que impressiona é perceber que ele é da mesma época do anfiteatro de Roma. Para quem já visitou ou acompanhou a história do Coliseu, é impossível não fazer essa comparação.
O Teatro Romano e as “Duas Viúvas”
A poucos passos do anfiteatro fica o Teatro Romano, construído na época do imperador Augusto.

A história dele também mudou bastante ao longo dos séculos. Durante a Idade Média, o local foi usado como uma espécie de pedreira. As pedras eram retiradas dali para serem usadas na construção de novas igrejas pela cidade. Por causa disso, restou muito pouco do gigantesco palco original. Hoje, duas colunas ainda estão de pé e são conhecidas como as Duas Viúvas.
É interessante caminhar por Arles porque você não precisa ir muito longe para encontrar uma nova camada da história da cidade. Em poucos minutos, você sai de um anfiteatro romano e chega a outro monumento construído há séculos.
A igreja de Saint-Trophime e a Place de la République
Outro ponto importante da cidade é a Place de la République, onde fica a igreja de Saint-Trophime, construída no século XI. Ela fazia parte da histórica rota de Santiago de Compostela e é conhecida, entre outras coisas, pelo seu famoso portal do Juízo Final. A igreja também abriga relíquias sagradas, incluindo os restos mortais de Saint-Trophime.
Arles é uma cidade que mistura muitos períodos diferentes da história. Você encontra a Roma Antiga, a Idade Média e, de repente, está diante de um lugar diretamente ligado a um dos pintores mais famosos do mundo.
Seguindo os passos de Van Gogh em Arles
Agora sim, vamos voltar à história que me trouxe até aqui. Existem vários lugares em Arles relacionados a pinturas de Van Gogh. E uma das coisas mais legais é que, enquanto você caminha pela cidade, pode encontrar placas no chão indicando locais que foram retratados pelo artista.
Dizem que Van Gogh pintou mais de 200 quadros durante o período em que esteve na cidade. Isso faz com que passear por Arles tenha uma experiência diferente: você não está apenas conhecendo os pontos turísticos, mas também procurando cenários que apareceram nas pinturas.
O Café Van Gogh
Um dos lugares mais conhecidos é o chamado Café Van Gogh. O local está relacionado a uma das obras mais famosas pintadas pelo artista chamada Terraço do Café à Noite de 1888, e hoje continua funcionando como um restaurante. Quando estivemos lá, estava fechado por ser baixa temporada, mas, na alta temporada, é possível visitar e aproveitar o lugar.
O mais interessante é sentar ali e pensar que você está olhando praticamente para a mesma paisagem que inspirou Van Gogh. A praça é muito graciosa e é um daqueles lugares em que a história da cidade e a arte acabam se encontrando de uma forma muito natural.
O antigo hospital onde Van Gogh buscou tratamento
Outro lugar importante para entender a passagem de Van Gogh por Arles é o antigo hospital da cidade, hoje conhecido como L’Espace Van Gogh. Foi ali que ele buscou tratamento depois da crise em que cortou parte da própria orelha.

Durante esse período, ele ficou sob os cuidados dos funcionários do hospital e recebeu visitas do irmão, Theo. Essa relação entre os dois sempre me chamou bastante atenção e eu já tinha comentado sobre isso quando contamos a história de Van Gogh em Amsterdã (veja o vídeo). Mesmo em um período tão difícil da sua vida, Van Gogh continuou produzindo. Ele pintou vários quadros relacionados a essa época.
Hoje, o espaço pode ser visitado gratuitamente. Existem algumas lojas ao redor vendendo produtos relacionados às obras do artista, mas, para mim, o mais legal é simplesmente poder andar por um lugar por onde ele também passou.
Uma das coisas mais bacanas de viajar é justamente essa oportunidade. Não é só ver uma imagem em um livro ou assistir a um documentário. É poder estar no lugar, caminhar pelas mesmas ruas e entender melhor o cenário onde aquelas histórias aconteceram.
De Arles ao Pont du Gard: mais uma obra impressionante dos romanos
Depois de Arles, seguimos de carro por cerca de 35 minutos até o Pont du Gard. É um daqueles lugares que fazem você parar e pensar: como alguém conseguiu imaginar e construir isso há mais de 2.000 anos?

O Pont du Gard é um aqueduto construído pelos romanos para transportar água para Nîmes. Ele não está mais em operação, mas continua sendo uma das ruínas romanas mais bem preservadas.
Como foi a nossa visita ao Pont du Gard
Na nossa visita, em abril, a entrada era gratuita, mas pagamos 9 euros pelo estacionamento do carro. Você pode caminhar livremente pelo nível inferior da ponte. Já o nível superior não era aberto para visitação.
Uma das coisas que mais impressionam é a forma como a estrutura foi construída, com enormes blocos de pedra encaixados. Pensar que essa obra foi projetada e construída há mais de dois mil anos e continua ali até hoje é realmente incrível.

E uma dica baseada na nossa própria experiência: leve repelente. O Pont du Gard fica em uma área de floresta e os pernilongos estavam me atacando sem piedade. Minha filha ficou no carro e, sinceramente, ainda bem, porque para mim estava bem difícil ficar ali sem repelente.
O que fazer em Arles: dicas práticas
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Cheguei a Arles dirigindo direto de Paris. Não é perto, são quase 8 horas de estrada. Como alternativa, sugiro pernoitar em Lyon e dividir o caminho em 2 partes. No nosso planejamento também tínhamos considerado trem (SNCF) e avião (chegando em Marselha, que fica a 1 hora de carro de Arles). Preferimos o carro por ser mais barato e mais cômodo.
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Reserve um tempo para caminhar por Arles sem muita pressa. Além dos grandes monumentos, existem vários detalhes e referências a Van Gogh espalhados pela cidade.
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Se você gosta da história de Van Gogh, procure os locais relacionados às pinturas enquanto passeia pelo centro. O café onde apreciei a vista para o Café Van Gogh se chama L’Apostrophe (endereço aqui), paguei 13,50 euros em 3 cafés e um chocolate quente.
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O anfiteatro romano é um dos pontos principais e ajuda a entender a importância da presença romana na cidade. Você pode encontrar ingresso para este e outros pontos turísticos Get Your Guide (link aqui) ou no site do escritório de turismo de Arles (link aqui).
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O L’Espace Van Gogh pode ser visitado gratuitamente (endereço aqui).
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Se estiver de carro, o Pont du Gard é uma parada fácil a partir de Arles (endereço aqui). Em abril, a entrada era gratuita e o estacionamento 9 euros por carro. Mas verifique essa informação na época que decidir visita-lo.
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Leve repelente para o Pont du Gard :).
Uma cidade que fica na memória
Arles acabou sendo exatamente o que eu esperava e, ao mesmo tempo, muito mais do que apenas uma cidade para conhecer a história de Van Gogh. Foi muito especial poder continuar essa história que já tínhamos começado em Amsterdã e visitar os lugares onde ele viveu, buscou tratamento e encontrou inspiração para tantas obras.

Mas Arles também surpreende pela sua história romana. Você está no sul da França, mas diante de um anfiteatro do século I, de um teatro construído na época do imperador Augusto e, a poucos quilômetros dali, de um aqueduto monumental que continua de pé depois de mais de dois mil anos.
Para quem gosta de história, arte e de conhecer lugares que têm realmente alguma coisa para contar, Arles é uma parada que, na nossa opinião, merece entrar no roteiro pela Provença.
Brasileira morando na Holanda com a família. Escrevo sobre viagens pela Europa com crianças, roteiros testados na prática e a vida real de quem mora fora.
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